domingo, 30 de dezembro de 2012

Chanucá e Purim
Por Yanki Tauber
Há um interessante denominador entre os costumes que cercam duas festas, Chanucá e Purim: um brinquedo giratório. Em Chanucá, costuma-se brincar com um sevivon, um pião em cujo topo estão inscritas as letras hebraicas que formam o acrônimo da frase: "Um grande milagre aconteceu ali." Em Purim giramos um artefato barulhento, mais precisamento um "reco-reco", para apagar o nome do perverso Haman.

Mesmo assim, há uma diferença: o sevivon é girado pela parte de cima, ao passo que o reco-reco é girado por baixo.

Em Chanucá, D'us violou todas as leis da natureza para nos salvar; um pequeno grupo de guerreiros derrotou um dos exércitos mais poderosos da terra e um jarro de azeite ardeu durante oito dias. Em Purim, a salvação veio naquilo que poderia facilmente ser visto como uma série de coincidências felizes: o rei Achashverosh fica furioso com sua mulher, e escolhe Ester como rainha em seu lugar; Mordechai ouve por acaso uma trama para assassinar Achashverosh e salva a vida do monarca; Haman por acaso estava "no local errado na hora errada" exatamente quando o feito de Mordechai está sendo lido para o rei insone; Ester usa seu cargo e influência para voltar o rei contra Haman; e assim por diante. Na verdade, mal se percebe que o nome de D'us nem sequer é mencionado no Livro de Ester! Em outras palavras, em Chanucá a salvação Divina vem "do alto", ao passo que em Purim vem "de baixo", disfarçada em eventos naturais.

Purim celebra o fato de que nosso relacionamento também permeia os detalhes mais simples e mais cotidianos de nossa vida.

Chanucá celebra o fato de que nosso compromisso com D'us, e o d'Ele para conosco, transcendem todos os vínculos naturais.
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Fogo ou luz?
Quem consegue secar as lágrimas que escorrem na face diante das cenas terríveis assistidas nos últimos dias? O mundo está se transformando em um mar de sangue e de escuridão.

Terroristas são feitos de que? Ódio, ódio e mais ódio. É como se nascessem de um incêncio implacável querendo consumir e destruir tudo a sua frente, sem deixar sobrar nada, programados com a única missão de destruir e matar. Estão tentando transformar o mundo em um inferno espalhando pane, morte, sangue e fogo.

Mas da mesma forma que há pessoas feitas de fogo, há pessoas feitas de luz. São seres que vieram ao mundo para iluminar, espalhando bondade, construindo e auxiliando outras pessoas a se reerguerem, a se curarem, a seguirem em frente. Hoje proliferam instituições solidárias à dor e problemas alheios. A sobrevivência e bem estar do próximo diz respeito a todos nós. Se não, por que razão teríamos sido criados como seres humanos se não fossemos dotados e agíssemos como humanos, com um caráter que além do cérebro é dotado de um coração?

Estamos no mês de Kislêv e dentro dele celebraremos Chanucá, a Festa das Luzes. Acenderemos oito velas, uma a mais a cada dia, acrescentando mais e mais luz. Esta é a mensagem de Chanucá. Em praças públicas, em shopping centers, supermercados e todos os estabelecimentos que abrem suas portas para receber nossas chanukiot: somos feitos de luzes, para trazer mais luz, para iluminar o mundo, para a balança pender para o bem, nossa essência nos impulsiona a iluminar o próximo através de uma chama imortal.

Mas o que é imortal, a alma? Qual a aparência de uma alma?

Olhe para a chama de uma vela. Uma chama é brilhante, sempre saltando, nunca está em repouso; o desejo natural de uma alma é "saltar" até D’us, ficar livres das limitações físicas. O pavio e a cera ancoram uma chama; um corpo físico segura a alma, forçando-a a fazer seu trabalho, dar luz e calor. O corpo humano, precioso e sagrado, é comparado ao Templo Sagrado.

O Báal Shem Tov, fundador do Chassidismo, sempre aconselhou contra o ascetismo, jejuns e flagelar o corpo. É melhor, dizia ele, usar seu corpo para fazer um ato de bondade. A bondade é contagiosa. Quando sua alma diz ao corpo para fazer uma boa ação, tanto a alma quanto o corpo são afetados. Finalmente, outras almas ao nosso redor influenciam seus corpos a fazer o mesmo. Em pouco tempo, criamos uma epidemia internacional de bondade. Esta é uma das razões pelas quais a Menorá de Chanucá é colocada onde possa ser vista da rua, seja no batente em frente à mezuzá, seja perto da janela, lembrando-nos do dever de compartilhar a luz espiritual de calor e sabedoria com o mundo que nos cerca.

Vamos continuar espalhando mais vida e esperança e acima de tudo, continuar rezando, acreditando e agradecendo a D’us, que por mais escuro que o mundo possa se mostrar e por mais que não entendamos Seus caminhos são perfeitos e confiamos Nele. Cumpriremos sua Torá e seus mandamentos com a certeza que a luz que surgirá diante de nossos olhos, é uma luz que jamais pudemos imaginar; tão intensa que não haverá nenhum espaço para a escuridão, e onde o mal será banido para sempre da Terra.

Nossa dor e lágrimas são em memória daqueles que pereceram e por suas famílias que choram e enterram seus entes queridos. São nossa família.

Que possamos acender as velas de Chanucá multiplicando, triplicando os locais onde costumam ser acesas, A luz de Mumbai continuará a brilhar!

A todos nossos tão queridos shluchim espalhados no mundo todo através das berachot do Rebe, nossos desejos são que continuem firmes como sempre estiveram. Nosso mais profundo, sincero e eterno agradecimento por terem acendido nossa chama e continuarem cuidando dela.

Os passos de Mashiach estão sendo ouvidos; o que precisamos é apenas escutá-los. O plano Divino certamente está em andamento e em sua meta final.

O que é um sheliach Chabad?

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Acrescente Luz!
Por Sara Esther Crispe
A primeira coisa que fiz na manhã de sexta-feira foi olhar as notícias. Quando fui dormir na quinta-feira à noite, ainda não se sabia das condições de Gavriel e Rivkah Holtzberg. Tudo que sabíamos era que os emissários de Chabad em Mumbai estavam inconscientes. Comentava-se sobre um grupo de comandos israelenses que foram enviados para uma missão de resgate, mas não se sabiam os detalhes. Na sexta-feira pela manhã tudo foi esclarecido. Esclarecido demais. Definitivo demais. O casal tinha sido assassinado. Alguns outros judeus ainda não identificados no Beit Chabad também foram mortos. Quanto ao bebê de dois anos dos Holtzberg, Moshê (seu segundo aniversário foi neste Shabat) fora heroicamente resgatado por sua babá, que encontrou o menino perto dos pais, ensopado do sangue deles.

Não há explicação: Não há o que explicar. Nada que eu, nem ninguém, possa escrever sobre o porquê de isso acontecer. Precisamos rezar. Precisamos prantear. E precisamos exigir de nosso Criador que Ele coloque um fim a toda essa violência, essa brutalidade e a este exílio.

E além disso, temos também outra responsabilidade. Em toda situação na qual nos encontramos, devemos buscar alguma lição, algum significado, alfo ao qual possamos nos apegar, que nos ajude a viver ainda melhor e a termos vidas mais significativas.

Terminou o mês hebraico de Cheshvan, e na sexta-feira passada começamos o mês de Kislev. Estes dois meses são os mais sombrios de todo o calendário anual. Os dias são curtos e as noites muito longas. Noite, escuridão, sempre foi um símbolo para a galut, exílio. Pois quando estamos no escuro, não podemos ver o que está adiante de nós. Parece que estamos procurando sem rumo, msa nunca está claro o que estamos buscando. E quando conseguimos entender o formato, não podemos ver os detalhes. Portanto sabemos que encontramos a porta, mas de que cor ela é? É velha? Nova? Bonita? Decrépita? Enquanto continuamos no exílio, os detalhes são sempre fugidios, e quase nunca podemos ver as formas ou os objetos até que cheguemos perto ou tropecemos neles.

Segundo o texto Sefer Yetzirah, o Livro da Formação, o mais antigo dos escritos místicos judaicos, cada mês no calendário hebraico é representado por uma letra diferente. Cheshvan é representado pela letra nun, que significa “a caída”. No texto da prcce Ashrai, que é alfabética em sua liturgia, há um versículo para cada linha, exceto para o nun. Isso porque o nun representa o estado da queda. Embora não seja mencionado nesse texto, é considerado uma parte da linha seguinte, aquela que começa com a letra samach e as palavras: “somech noflim”, que significa “apoiando os caídos”. Esta é a idéia de que sempre que alguém cai, toda vez que ocorre uma tragédia, ao lado há um apoio. Isso não significa que não cairemos, mas que quando isso ocorrer, alguém estará lá para nos ajudar.

Oculta dentro de cada desafio está uma maravilhosa oportunidade.

É por isso que o mês seguinte a Cheshvan, Kislev, é representado pela letra samach. É durante o mês de Kislec que celebramos Chanucá, a Festa das Luzes.

Chanucá é mencionada como chaghanisin, a festa dos milagres. A palavra para milagre, nes, é formada por duas letras, o nun de Cheshvan, e o samach de Kislev. As letras que representam esses dois meses sombrios formam a palavra para milagre. Há uma outra bela alusão. A palavra para desafio em hebraico é nisayon. Porém no radical dessa palavra está nes, milagre. Isso serve para mostrar que oculto dentro de cada desafio, oculto em cada teste que passamos, está uma milagrosa oportunidade, uma possibilidade maravilhosa.

Chanucá nos ensina que quando somos confrontados pela escuridão, nossa resposta deve ser acrescentar luz. Podemos passar a vida tentando lutar contra as trevas, tentando afastá-las. Porém infelizmente, o mais provável é que não se afaste. Em vez de lutar contra o negativo, a alternativa é ignorá-lo conpletamente enquanto iluminamos aquilo que nos cerca. Quando acrescentamos luz, a escuridão desaparece. Não se trata de a afastarmos, mas sim de dominá-la. A luz substitui a escuridão.

Os Holtzberg foram para Mumbai, um local que para muitos significa o fim do mundo. Porém foram para lá com uma missão específica. Mudaram-se para lá, criaram seus filhos (infelizmente perderam um filho de três anos devido a uma doença genética degenerativa e tiveram outro filho doente que estava com os avós em Israel quando ocorreu o ataque), e ali construíram suas vidas com o propósito expresso de divulgar a luz do Judaísmo aos judeus que morassem ou passassem pela região. Os Holtzberg eram acendedores de lampiões. Iluminavam a escuridão e mostravam a todos os judeus que os procuravam que tinham aonde ir, um lar que podiam considerar seu, repleto de luz e calor. O pai de Rivkah disse que para eles, uma refeição típica de Shabat consistia de 150-200 convidados. Todos sabiam que o Beit Chabad estava aberto para todos os judeus em Mumbai.

A luz de Gavriel e Rivkah foi horrivelmente apagada. Foi extinta. Porém eles deixaram para trás não somente seus filhos biológicos, que sobreviveram por milagre, como também deixaram aqueles que tiveram a felicidade de conhecê-los, e o restante de nós, que somente agora podemos saber da sua grandeza. Não há dúvida de que precisamos prantear sua perda. Precisamos sentir falta deles e chorar por eles, e fazer o possível para que tal tragédia não ocorra novamente.

Porém precisamos fazer ainda mais. Devemos a eles fazer mais. Em meio a essa tragédia, da tristeza que está ocorrendo, começamos Kislev, o apoio para aqueles que caíram. E devemos oferecer aquele apoio. Enquanto pranteamos, devemos reconhecer que estamos chorando juntos. Ontem recebi e-mails de muitas pessoas que aparentemente nada têm em comum umas com as outras, mas todas as pessoas souberam da tragédia e queriam oferecer suas preces, seus pensamentos, sua preocupação. Como nação judaica rezamos pelo seu retorno seguro. Infelizmente essa prece não foi respondida da maneira que esperávamos. Hoje temos uma missão diferente, trazer luz ao mundo, por estas duas maravilhosas luzes, bem como pelas luzes de todas as outras vítimas, que foram brutalmente tiradas.

Os Holtzberg eram acendedores de lampiões
Devemos usar nossa tristeza para motivar a ação. Se você é mulher, e ainda não acende velas de Shabat, comece a fazê-lo em memória de Gavriel e Rivkah Holtzberg e todas as outras vítimas. Os pais de Rivkah pediram que as mulheres judias cumpram essa mitsvá especial para ajudar a trazer mais luz a este mundo. Doe mais para caridade, ajude uma pessoa necessitada, cumpra outra mitsvá, outra boa ação que pode dedicar a eles. Encontre alguém que está caindo ou que caiu, e seja para ele um apoio.

Não podemos mudar o que aconteceu. Porém podemos determinar como reagir a essa tragédia. Pense naquilo que você pode fazer para trazer mais luz a essa escuridão. Compartilhe abaixo o que você está fazendo em memória das vítimas de Mumbai e por Gavriel e Rivka. Um dia no futuro, os filhos dos Holtzberg poderão olhar para isso em retrospecto e ver o impacto que seus pais tiveram, não apenas com suas vidas, mas até mesmo com sua morte trágica.


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A Chanukiyá e a Menorá
A noite cai rapidamente, inundando as ruas com escuridão. Uma a uma, as velas são acesas. Entre o clarão elétrico dos halógenos e néons, um brilho mais caloroso e puro se afirma: é a última semana de Kislêv e, dos portões e janelas dos lares judeus, as velas de Chanucá iluminam a noite. Chanucá comemora o milagroso reacendimento das luzes no Bet Hamicdash em Jerusalém, depois de sua queda no segundo século pelos greco-sírios que, na época, governavam a Terra Santa.

O Bet Hamicdash representava o epi¬cen¬tro da Presença Divina na vida do homem, o ponto “do qual a luz emanou para o mundo todo”; as sete luzes acesas, a cada dia, na Menorá do Templo eram a expressão física da luz espiritual que emanava da Casa de D’us sobre a Terra.

Em seu empenho por substituir a espiritualidade do povo de Israel, pelo paganismo helênico, os gregos proibiram a prática da fé judaica, invadiram o Bet Hamicdash, profanando-o com suas imagens e ritos decadentes e contaminaram o azeite destinado ao acendimento da Menorá.

Porém, Matityáhu, o Chashmonaí e seus filhos,1 reuniram um pequeno mas determinado grupo de guerreiros e expulsaram os gregos da Terra Santa. Depois de libertar o Bet Hamicdash e rededicá-lo ao Serviço Divino, procuraram azeite ritualmente puro para acender as velas da Menorá. Milagrosamente, a única ânfora de azeite ardeu por oito dias, até que azeite puro e novo pudesse ser preparado.

Em todos os mais de dois mil anos desde então, lembramos e revivemos o triunfo da luz através das oito chamas da chanukiyá.

Existem, entretanto, diferenças marcantes entre a chanukiyá e a Menorá do Bet Hamicdash:

a)A Menorá do Bet Hamicdash foi acesa durante o dia (1h15 antes do pôr-do-sol)2 e ardeu por toda a noite, e o número de pavios era constante, enquanto as velas de Chanucá são acesas à noite;3 acrescenta-se novo pavio ou vela a cada anoitecer.

b) A Menorá original permaneceu portas a dentro, no santuário interno do Bet Hamicdash, enquanto a chanukiyá é colocada do lado de fora da entrada do lar ou em uma janela, com vista para a rua;

c) Sete chamas arderam na Menorá do Bet Hamicdash, enquanto a chanukiyá possui oito luzes, todas as quais estarão acesas na oitava e culminante noite da festa.4
Por que essas divergências? Por que, ao instituir a prática do acendimento das luzes de Chanucá, nossos sábios diferenciaram entre essas velas e aquelas que elas comemoram?5

Ciclo e Circunferência

Este é também o significado mais profundo da diferença numérica entre a Menorá do Bet Hamicdash e a chanukiyá. Sete é o número da Criação. D’us criou o mundo em sete dias, empregando os sete atributos Divinos (midot elyonot ou sefirot) os quais Ele fez emanar de Si próprio, para atuarem como as sete “estacas de construção” da realidade criada.

Sete é o algarismo dominante em todos os ciclos e processos naturais.

Assim, o “procedimento operacional tra¬dicional” de levar luz ao canto mais obscuro da Criação, é relacionado à Menorá de sete braços do Bet Hamicdash.

Se “sete” é o ciclo da natureza, “oito” é a “circunferência” (shomer hahekêf) que a define e a contém, a realidade pré-Criação que transcende e penetra a realidade criada. Se as sete luzes da Menorá do Beit Hamicdash incorporam o processo norma¬ti¬vo de superar a escuridão por meio da luz, as oito luzes da chanukiyá representam o empenho em alcançar uma realidade mais elevada – onde a escuridão é mais um raio da verdade Divina.

Na época do Templo havia paz e fartura. Os judeus não eram combatidos, mas homenageados. Livre de anseios materiais, dedicavam-se ao estudo de Torá e a cumprir mitsvot. Por isso, bastava acender o mesmo número de velas todos os dias. O milagre de Chanucá, porém, ocorreu numa época dura, com Israel sob o jugo dos greco-sírios. Para nos mostrar o caminho a seguir sob condições difíceis, D’us nos outorgou a mitsvá das luzes de Chanucá.

Em época de trevas espirituais é requerido um intenso auto-sacrifício. Não basta iluminar o interior da casa, pois as trevas podem invadir nosso abrigo. Assim, acendemos as luzes quando surge a escuridão, levando luz ao mundo exterior e reforçando a luz a cada dia, até merecermos acender novamente a Menorá no Bet Hamicdash – possa ele ser reconstruído em breve.

Notas:
1 Também conhecidos como “macabeus” . Depois de derrotar os gregos, a família dos Chashmonaím governou Israel independente, por 103 anos.
2 Conforme o Talmud, Pesachim 59b, o acendimento da Menorá seguiu imediatamente o queimar de ketôret (incenso), concluído 1h15m antes do pôr-do-sol.
3 Incontinenti após o pôr-do-sol, de acordo com o costume de algumas comunidades, ou após o aparecimento de três estrelas, de acordo com outras.
4Uma vela é acesa na primeira noite de Chanucá, duas na segunda, três na terceira, etc.
5Especialmente devido ao fato de que “todas as instituições rabínicas seguem o exemplo dos protótipos bíblicos” (Talmud, Pesachim 30b).
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União e Luz
Miketz & Chanuca
Ao descrever os talos saudáveis no "sonho do trigo" do faraó, diz a Torá: "E vejam, havia sete sadias e boas espigas de grão crescendo num único talo" (Bereshit 41:5)

É interessante notar que a respeito das magras espigas, a Torá não menciona que cresciam num único talo. Não parece provável que esta diferença fosse inconsequente, pois sabemos que cada detalhe mencionado na Torá é importante e não deve ser deixado de lado. Assim, permanece a dúvida: por que a Torá descreve as boas espigas como crescendo em um só talo e omite este detalhe a respeito das espigas doentes?

Podemos aprender uma importante lição desta diferença: aquilo que é bom e significativo tende a se fundir e unir-se. Entretanto, aquilo que é mau e sem propósito não pode tolerar a harmonia e a concordância. Por esta razão, as espigas boas e saudáveis cresciam em um único talo. Devido à boa e pura disposição das espigas, era natural que se unissem para crescer juntos em um só talo. Por outro lado, as espigas mirradas e doentes, naturalmente mostrando desarmonia, "escolheram" crescer em talos diferentes, porque na verdade, qualquer união do mal é apenas para o avanço das necessidades e desejos individuais.

É interessante notar que, quando alguém pesquisa o passado dentro de alguns milhares de anos da história judaica, percebe que esta mensagem é especialmente verdadeira. O povo judeu jamais representou mais que uma ínfima fração da população mundial. Apesar disso, o povo judeu permaneceu, tem sobrevivido, e continua a fazer a diferença neste mundo.

A lógica diria que o povo judeu, com todas as provações e sofrimentos destes anos, deveria ter desaparecido há muito. Mais especificamente, encontramos na história judaica casos de pequenos grupos de judeus enfrentando inimigos maiores e mais fortes. Mesmo assim, o povo sempre emerge vitorioso.

Como isto é possível?
Poucos judeus derrotando um numeroso inimigo pode ser encontrado na história de Chanucá. Um pequeno número de soldados judeus levantou-se em rebelião contra o poderoso exército grego e conseguiu expulsá-los. Este feito milagroso, provavelmente mais que qualquer outro evento, serve como um microcosmo da história judaica. Onde, então, está o segredo de nosso sucesso?

Poderia parecer que a resposta se encontra nos conceitos acima mencionados. Quando um número de indivíduos se reúne para fazer o bem, naturalmente formarão um grupo coeso. Na história de Chanucá, a missão de restaurar a ordem e a paz no Templo Sagrado e na Terra de Israel levou à formação de um grupo unido. E como diz um velho adágio, "cinco palitos unidos são mais fortes que dez palitos separados".

Os Macabeus, reunidos com o propósito do bem, puderam derrotar o exército grego que era composto simplesmente por indivíduos, cada um procurando realizar seus próprios desejos. Ocorre o mesmo com a nação judaica como um todo. Quando empreendemos uma missão sagrada, instintivamente formamos uma força invencível, que nos possibilita sobrepujar nossos adversários. Este é o segredo de nosso sucesso.

A intenção aqui não é a de diminuir a natureza miraculosa da vitória dos Macabeus. Não há dúvida de que a derrota dos gregos não teria acontecido sem a intervenção Divina. Mas é preciso ressaltar o meio pelo qual ocorreu o milagre.

Ao acendermos a Menorá, embora cada vela individual irradie um pequeno brilho, todas juntas formam uma espetacular exibição de fogo e luz. Podemos então lembrar a mensagem de Chanucá: a sobrevivência do povo judeu.


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Azeite: O segredo dos segredos da sua alma
Por Simon Jacobson
Chanucá é a história do azeite.
Apesar das batalhas milagrosamente vencidas pelos macabeus, mais fracos e em menor número contra o mais forte e mais numeroso exército greco-sírio, o Talmud, em sua descrição do milagre de Chanucá, concentra-se tão somente no milagre do azeite e praticamente ignora o milagre militar.
“O que é Chanucá?” pergunta o Talmud. “Sobre qual milagre foi estabelecido? Quando os gregos entraram no Santuário, contaminaram todo o azeite. Então, quando a família real hasmoneana os sobrepujou e foi vitoriosa sobre eles, procuraram e encontraram um única ânfora de azeite puro que estava selado com o selo do Sumo Sacerdote ­ suficiente para acender a Menorá por um só dia. Um milagre aconteceu, e eles acenderam a Menorá com este azeite durante oito dias. No ano seguinte, estabeleceram estes dias como festivos e de louvor e agradecimento a D’us.”
Nós, porém, celebramos Chanucá comemorando o milagre do azeite e acendendo a Menorá por oito dias, de preferência usando azeite de oliva porque é facilmente atraído para o pavio, sua luz arde claramente, e o milagre de Chanucá aconteceu com azeite de oliva.
Por que o foco sobre o azeite? Alguém poderia argumentar que descobrir o azeite foi acidental enquanto que o milagre principal foi o de vencer a batalha contra o inimigo. Se aquela vitória não tivesse ocorrido, a descoberta subsequente da ânfora de azeite teria sido impossível. Por que então o milagre do azeite é o aspecto que define Chanucá, sem menção das batalhas vencidas ­ ao contrário, por exemplo, de Pêssach, quando celebramos e recriamos a vitória sobre os egípcios?
O Chassidismo explica que o milagre essencial de Chanucá foi uma vitória especial. Os greco-sírios não queriam aniquilar fisicamente os judeus (como Haman fez no tempo de Purim); eles queriam matar suas almas. Os gregos não se opunham à Torá como um compêndio de sabedoria humana e mitsvot como um conjunto de regras éticas; eles procuravam “fazê-los esquecer Tua Torá e fazê-los violar os decretos da Tua vontade” ­ divorciar a Torá e as mitsvot de sua natureza espiritual e Divina. A batalha foi lutada não por qualquer fim material ou político, mas pela própria alma do Judaísmo. Assim o Talmud define “O que é Chanucá?” por seu milagre espiritual ­ a descoberta do azeite puro e não profanado e o acendimento da luz Divina que emanava do Templo Sagrado.
Mesmo quando os poderosos materialistas greco-sírios profanaram todos os objetos sagrados, mesmo quando todas as fontes de luz pura (do puro azeite de oliva) se foram, pelo menos um recipiente de pureza permaneceu, e reviveu a alma. A poderosa qualidade da luz ­ até uma quantidade mínima ­ prevaleceu sobre as formas mais poderosas de escuridão.
Isso explica o significado das chamas. Mas por que especificamente azeite?
O Midrash oferece a seguinte parábola para explicar o uso do azeite de oliva para a Menorá no Templo: “é comparável a um rei cujas legiões se rebelaram contra ele. No entanto, uma das legiões permaneceu leal e não se rebelou. O rei disse: é desta legião que não tinha se rebelado que escolherei meus legisladores e governantes. Assim D’us disse: Esta oliveira trouxe luz ao mundo no tempo de Nôach, pois vimos ‘a pomba voltou… e tinha um ramo de oliveira no bico.’” (Vayicrá Raba 31:10).
Isso explica o significado das chamas. Mas por que especificamente azeite?
Um comentarista explica (Radal sobre Midrash ibid.) que a corrupção precedendo o grande Dilúvio não afetou somente o homem, mas também o reino animal e o vegetal. Diferentes espécies animais tentaram se cruzar; plantas tentaram se enxertar com outras. Somente o galho da oliveira resistiu a todas as formas de enxerto. É assim considerada “a legião que não se rebelou.” Permaneceu pura. Como continuou fiel a D’us, a oliveira foi escolhida para ser o sinal de renascimento e renovação após o Dilúvio. Foi escolhida para ser a fonte de luz do local mais sagrado neste mundo, e a fonte de luz para as gerações vindouras.
Mas o que há no azeite de oliva que o imuniza contra forças corruptoras? E como acessamos este poder?
As Propriedades do AzeiteA natureza material de toda entidade física evolui de sua raiz espiritual. Uma análise das propriedades do azeite pode ajudar a esclarecer sua poderosa importância espiritual.
O Talmud propõe a seguinte questão: Se uma impureza tocar azeite flutuando sobre o vinho, isso contamina o vinho também? Duas opiniões são oferecidas: Os Rabinos afirmam que o azeite é hidrofóbico por natureza e portanto não é considerado conectado com o vinho, assim somente o azeite é contaminado, não o vinho. Rabi Yochanan ben Nuri discorda. Ele afirma que o azeite está conectado ao vinho, e portanto contamina o vinho também (Mishná Tevul Yom 2:5).
Sua discordância aplica-se ainda a uma outra lei. No Shabat somos proibidos de mover um objeto de uma área privada até uma área pública (ou vice-versa). A proibição exige um processo de duas etapas: levantar (akira) e colocar (hanocho) ­ erguer o objeto do local onde está e colocá-lo em outro lugar. A questão é essa: se o azeite está flutuando por cima do vinho, é considerado repousando sobre o vinho e assim proibido de ser erguido e colocado em outro lugar. Rabi Yochanan ben Nuri afirma que o azeite está conectado ao vinho, e portanto está repousando sobre ele. Os Rabinos discordam e argumentam que o azeite não está conectado, mas completamente separado do vinho. É como se o azeite estivesse flutuando, e assim não é considerado como levantado do vinho (Talmud Shabat 5b). A regra definitiva (Halachá) segue os Rabinos, que o azeite está completamente separado do vinho.
Rabi Dovber de Lubavitch, segundo Rebe de Chabad (filho e sucessor de Rabi Shneur Zalman de Liadi) em sua profunda obra :Imrei Biná” (Shaar há’Kriyat Shma cap. 52-56) se pergunta se a base do argumento está no primeiro lugar. Não é uma questão de observação empírica,” afirma ele, “se os dois se mesclam juntos ou se permanecem completamente separados. Podemos testar e ver se o azeite e o vinho se misturaram de alguma forma ­ tanto em substância quanto em sabor. Portanto, o que define o debate entre os Rabinos e Rabi Yochanan ben Nuri?”
Rabi Dovber explica que a natureza do azeite pode ser entendida somente depois de analisarmos a personalidade espiritual do azeite de oliva.
Três Dimensões da AlmaUm nivel mais elevado ­ o azeite essencial, o inconsciente que permanece destacado e acima de todos os níveis sobre os quais repousa.
A alma consiste de três dimensões: o consciente, o inconsciente e o não-inconsciente. O consciente divide-se nas faculdades reveladas biológicas, emocionais e intelectuais ­ correspondendo ao nefesh, ruach e neshamá (os primeiros três dos cinco nomes/níveis da alma). O inconsciente é chaya ­ a dimensão transcendente, que permanece não revelada, mas pode aflorar através de esforço exercido. Finalmente ­ cada alma contém o in-inconsciente, yechida, que desafia qualquer forma de expressão.
O in-inconsciente sempre permanece essencialmente incognoscível. É o paralelo psicológico do estado semelhante ao quantum da probabilidade fundamental, no âmago do princípio da incerteza de Heisenberg.
O que distingue o nível do in-inconsciente do inconsciente “normal” é que o inconsciente está oculto, mas pode ser revelado. Nas palavras de Carl Jung: “Até você tornar consciente o inconsciente, ele dirigirá sua vida e você o chamará de destino.” Isso pode ser verdadeiro no nível do inconsciente, porém o nível do in-inconsciente é fundamentalmente impossível de revelar. Ambos estão ocultos, porém o último é chamado “ocultação sem substância,” ou “o incinsciente indefinido.”
Um exemplo dos dois é a diferença entre um carvão quente e uma pedra de isqueiro. O fogo no carvão está oculto, mas existe dentro do carvão. Tudo que você precisa fazer é abanar o carvão e a chama vai surgir. Numa pedra de isqueiro o fogo físico não existe. Porém, esfregando-a com força, você consegue liberar sua centelha.
Estas três dimensões ­ o consciente e os dois níveis do inconsciente ­ estão incorporados na diferença entre pão, vinho e azeite: pão, alimento convencional, manifesta as faculdades reveladas. O vinho, oculto nas uvas, reflete o inconsciente ­ que é revelado até por uma leve pressão sobre as uvas. O azeite de oliva representa o in-inconsciente, que está muito mais oculto na azeitona e portanto exige muito mais pressão para liberar, que o vinho na uva. Nas palavras do Zohar: o vinho é o nível dos “segredos” (um segredo que pode ser revelado); o azeite é o nível do “segredo dos segredos” tão secreto que está oculto até dos segredos, e é fundamentalmente secreto e indefinível.
O azeite em si também tem duas dimensões: uma que interage com o estado inconsciente do “vinho”, e causa algum impacto sobre o inconsciente. Um nivel mais elevado ­ o azeite essencial, o inconsciente que permanece destacado e acima de todos os níveis sobre os quais repousa. Estas duas dimensões são expressas no paradoxo óbvio do azeite: por um lado, o azeite satura tudo aquilo com que entra em contato. Por outro lado, sobe e permanece acima de qualquer líquido com que entra em contato.
Rabi Dovber explica que as duas opiniões de Rabi Yochanan ben Nuri e dos Rabinos, se o azeite é conectado ou desconectado ao vinho por baixo dele, refletem as duas dimensões do azeite: Rabi Yochanan fala sobre a dimensão do “azeite” que entra em contato e afeta o “vinho”. Os Rabinos discutem o “azeite” essencial, que sempre permanece desconetado do “vinho”.
A Verdadeira História de ChanucáAgora podemos entender por que o azeite desempenha um papel tão importante na experiência de Chanucá: o azeite representa a conexão suprema, essencial, da alma com o Divino, que é incorruptível e intocado por qualquer impureza. Ele sobe e flutua acima de toda a existência.
Portanto, tem o poder de transcender a escuridão ­ o desafio materialista dos gregos, sua profanação do Templo Sagrado e do azeite sagrado. Como “naqueles dias” também hoje, “nesta época”: Até quando nossas faculdades conscientes e inconscientes possam estar temporariamente comprometidas, uma ânfora de “puro zeite” sempre permanece, e é como uma “chama-piloto” que nos dá o poder de reacender o inconsciente e o consciente que possa ter se extinguido (ou estar oculto) por algum tempo.
É reconfortante saber que apesar de toda a escuridão ao nosso redor, dos sofrimentos e perdas, da noite escura e das ruas hostis ­ uma chama calma, pequena, permanece acesa, intocada...
E a luz que emerge das trevas é a mais forte de todas. Como escreve o Rambam (início da Parashat Behaalotechá), que “estas chamas jamais serão extintas” (ao contrário da Menorá do Templo que deixou de brilhar após a destruição do Templo). Luz que prevalece após ser desafiada pela escuridão demonstra ser uma luz que jamais pode morrer.
Chanucá é a celebração do azeite ­ o azeite interior que permanece dentro de nossa alma ­ puro e inocente, intocado e não conspurcado por todas as experiências da vida, mesmo as mais difíceis. O azeite puro de sua alma flutua, carrega seu segredo mais secreto ­ a parte de você que transcende todas as formas de expressão. O verdadeiro você.
Em todos os oito dias de Chanucá, estas luzes são secretas, e não temos permissão de fazer uso delas ­somente contemplá-las, a fim de agradecer e louvar Teu Grande Nome por Teus milagres, por Tuas maravilhas e por Tua salvação.
“Não podemos fazer uso delas” ­ porque elas estão além, e permanecem intocadas pelas necessidades humanas, até as nossas. Porém temos permissão de olhar para elas…
Chanucá conta o segredo dos segredos de sua alma. É reconfortante saber que apesar de toda a escuridão ao nosso redor, apesar dos sofrimentos e perdas que passamos, apesar da noite escura e das ruas hostis ­ uma chama calma, pequena, permanece acesa, intocada, não revelada ­ pairando acima, mal tocando, porém firmemente em contato com nossa vida cotidiana.
Esta pode ser a mensagem mais poderosa que jamais chegaremos a ouvir: nossa alma tem um segredo. Um segredo dos segredos. Nada, absolutamente nada, pode tocá-lo, nem diminuir ou ferir o azeite secreto de nossa alma. Em Chanucá o segredo de sua alma é revelado, temos o poder de tocar o intocável, ou ainda melhor; de sermos tocados pelo intocável.


Uma mensagem universal
Chanucá contém uma mensagem universal para todos os povos de todas as fés - uma mensagem de liberdade, da vitória do bem sobre o mal, da luz sobre as trevas.
O símbolo da festa, um candelabro de oito braços, adquiriu significado especial para o povo judeu durante a revolta contra a coerção religiosa dos antigos gregos, aproximadamente 2.200 anos atrás.
Este candelabro, na verdade, representa muito mais do que apenas um símbolo religioso. Simboliza a liberdade de expressão e, assim, indica a diversidade e pluralismo tão importantes em nossa sociedade.
Acender candelabros gigantes em locais públicos proclama a mensagem universal da liberdade religiosa, como vem sendo feito em centenas de cidades do mundo todo.
Mensagem do Rebe
Caro amigo,
As luzes de Chanucá, acesas na escuridão da noite, trazem à mente lembranças do passado: a guerra que os chashmonaim travaram com os poderosos exércitos sírios, sua vitória, a inauguração do Templo, o reacendimento da Menorá, a pequena quantidade de azeite que durou por muitos dias, e assim por diante.
Vamos nos imaginar como membros do pequeno grupo dos chashmonaim daquela época. Estamos sob o domínio de um poderoso rei sírio; muitos de nossos irmãos nos deixaram e aceitaram a idolatria e o modo de vida do inimigo. Mas nossos líderes, os chashmonaim, começam a agir sem comparar números e armas e sem medir as chances de vitória. O Templo Sagrado foi invadido por um adversário cruel. A Torá e nossa fé estão em grave perigo. O inimigo esmagou tudo o que nos era sagrado e está tentando nos forçar a aceitar seu modo de vida, que é a idolatria, injustiça e características semelhantes totalmente estranhas a nós. Mas há algo que podemos fazer - aderir o mais que pudermos à nossa religião e aos preceitos e lutar contra o adversário, mesmo que seja necessário oferecer a vida.
Maravilha das maravilhas! Os enormes exércitos sírios são vencidos e o vasto império é derrotado. Nossa vitória é completa.
Este capítulo da História judaica se repetiu freqüentemente. Nós, como judeus, sempre fomos minoria; muitos tiranos tentaram nos destruir devido à nossa fé. Às vezes, miravam setas envenenadas contra nosso corpo, outras vezes contra nossa alma. E, é triste dizer, muitos de nossos irmãos, por um motivo ou outro, viraram as costas para D'us e Sua Torá e tentaram tornar a vida mais fácil aceitando as regras do conquistador.
Em tais tempos de tribulações, devemos ser como o fiel grupo dos chashmonaim e lembrar que sempre há uma gota de "puro azeite de oliva" escondida lá no fundo do coração de cada judeu que, se acesa, transforma-se numa imensa chama. Esta gota de "puro azeite de oliva" é a "Luz Perpétua" que deve perfurar a escuridão da noite atual, e de fato, o conseguirá, até que todos contemplem a realização da profecia de redenção e triunfo supremos.
Como nos dias dos chashmonaim, mais uma vez, "os perversos serão conquistados pelos justos, e os arrogantes por aqueles que seguem as leis de D'us, e nosso povo Israel terá uma grande salvação."
Com saudações de Chanucá,
Rabi Menachem Mendel Schneerson
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Conservar o azeite puro
O verdadeiro objetivo dos gregos não era a destruição do óleo da Menorá, mas sim conseguir com que fosse reacesa com óleo profanado. O propósito por trás disto era, ao invés da supressão da Torá, sua profanação; queriam que ela fosse considerada uma obra humana.
Chanucá nos lembra que o maior perigo na vida judaica não é a ameaça de sua supressão ou de sua extinção completa, mas antes, a tendência de profaná-la alimentando sua Menorá com óleo impuro.
Essa tendência pode expressar-se de várias maneiras: na adoração do materialismo e sucesso material; na apresentação de certas ideologias feitas pelo homem e "ismos", como a panacéia de todos os males da humanidade; na idolatria da ciência e da tecnologia e a tendência de julgar e medir tudo segundo os padrões do raciocínio humano. Ela não exclui necessariamente a "experiência religiosa", mas ou a confina a uma área restrita, ou pior ainda, produz uma pseudo-religiosidade onde a consagração e a devoção são sacrificadas de acordo com conveniências e compromissos pessoais.
Chanucá nos ensina que a santidade e a pureza da vida judaica deve ser conservada a qualquer custo. Os aspectos externos e materiais de nossa vida diária não somente devem ser preservados de serem contaminados em sua pureza e santidade, mas ao contrário, Torá e mitsvot devem levar santidade a todos os aspectos materiais de nossa vida de acordo com o princípio: "Conheçam-O em todos os seus caminhos".
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A lição através da luz
Embora Chanucá seja celebrada apenas durante oito dias no ano, a mensagem da festa e de suas luzes são válidas o ano inteiro.
Há outras luzes com importante significado no judaísmo, entre elas as luzes do candelabro que eram acesas diariamente no Templo Sagrado de Jerusalém e as luzes de Shabat, acesas no lar judaico todas as tardes, antes do pôr-do-sol de sexta-feira.
Existem diferenças fundamentais entre as luzes de Chanucá e as outras duas:
As velas de Shabat devem ser acesas antes do pôr-do-sol e as velas do Templo Sagrado eram acesas ainda cedo; as luzes de Chanucá, todavia, devem ser acesas depois do pôr-do-sol, quando já está escuro (exceto na sexta-feira, que devem ser acesas antes das velas de Shabat).
O candelabro do Templo estava dentro do Santuário. O lugar das luzes de Shabat, da mesma maneira, fica na mesa de Shabat. Porém, as luzes de Chanucá devem ser colocadas em um lugar que possam ser vistas do lado de fora.
Finalmente, as luzes do Templo e as velas de Shabat têm sempre o mesmo número, enquanto as luzes de Chanucá são acrescidas a cada dia da festa, aumentando constantemente seu número.
A lição indicada pelas luzes de Chanucá é que cada um deve iluminar, não somente o seu lar, (como faz através das velas de Shabat e do Templo), mas tem uma responsabilidade adicional de iluminar "externamente" seu ambiente social e de negócios. Além disso, quando as condições são desfavoráveis (está escuro lá fora) não é suficiente acender uma luz e apenas mantê-la, mas é necessário aumentar constantemente as luzes através de um esforço sempre crescente para propagar a luz da Torá e das mitsvot.
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A luz fala
por Yanki Tauber
Escutem o que as luzes de Chanucá estão nos dizendo.
- Rabi Yossef Yitschac de Lubavitch
Sou pura, e mantenho minha pureza onde quer que eu vá. Os raios que penetram uma masmorra imunda são tão puros quanto aqueles que inundam um palácio de mármore branco.
Meu uso mais importante não está em proporcionar a você algo que não tenha, mas em capacitá-lo a preservar e desenvolver aquilo que faz. Quando você está na escuridão, pode estar à beira de um grande perigo, ou a um passo de grandes riquezas, e estar inconsciente de ambos. Presenteio você com o conhecimento de seu potencial e o que realizar com ele.
Realizo coisas notáveis, mas as consigo sem esforço.
Sou verdade.
Sou uma força curativa.
Sou incolor, embora incorpore todas as cores. Careço de substância, massa e peso - mesmo assim sou parte integral da realidade física. Em outras palavras, sou espiritual.
Luto para livrar-me do estado físico, porém estou inexoravelmente ligada a ele. Em outras palavras, eu sou você.
Não sou uma existência por mim mesma, mas a revelação de minha fonte.
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Uma ponte para o nosso tempo
Rabino Shabsi Alpern
Nestes dias, às vésperas de Chanucá, é adequado analisar de onde os poucos Macabeus conseguiram tanta força para lutar como leões e fazer retroceder as poderosas legiões que avançavam contra eles. Lutaram por poder e glória, por riqueza ou por um lar? Ou, antes, batalharam para preservar um ideal, para perpetuar uma norma de vida tão preciosa a eles, ao ponto de dar suas vidas pela causa? A resposta é evidente por si só.

Os Macabeus lutaram por aqueles ideais e valores que tornaram o judaísmo "único" – amor e louvor a D’us, santidade e humildade, amor ao próximo, busca da justiça.

A Festa de Chanucá proclama a necessidade do homem de possuir ideais. Ninguém nega que o ser humano carece de ideais para viver. O Profeta Zecharyá exorta o povo afirmando que o homem não vive pela "força e poder", mas pelo espírito do Altíssimo. O homem necessita destes ideais para que sirvam de bússola através dos mares turbulentos e tempestuosos da vida. São os valores que diferenciam o homem dos animais selvagens. São os ideais que distinguem a comunidade civilizada das que vivem nas selvas. Foi o ideal judaico que acendeu a chama da rebelião nos corações dos Macabeus. No mundo materialista de hoje, mais do que nunca, o indivíduo necessita de ideais para viver. A ciência, com todas as vantagens materiais para o homem, não foi capaz de saciar a fome da alma humana. Não é de espantar que nossos jovens idealistas tenham se decepcionado, por que não conseguem aceitar as terríveis incompatibilidades da sociedade e as hipocrisias dos mais velhos, que lhes saltam aos olhos a cada momento.
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Há um grande abismo entre o ideal e o real.

A mensagem dos Macabeus para nossa era é levantar uma ponte sobre as brechas entre nossos ideais professos e as realidades práticas da vida. Esperamos que a violência e a força dêem lugar ao poder da palavra, do pensamento, do espírito, e a luz da bondade e da verdade possa dissipar a escuridão da cobiça, da opressão e da falsidade.
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Luzes
"D’us viu que a luz era boa e separou entre a luz e a escuridão. D’us chamou a luz, ‘dia’ e a escuridão chamou ‘noite’; foi tarde e foi manhã, dia um" (Bereshit I:4-5).

No início a escuridão e luz eram uma só – expressão contínua da bondade e perfeição de seu Criador. Mas, D’us desejava contraste e desafio em Seu mundo. Então, separou a luz da escuridão, o bem revelado do bem oculto, desafiando-nos a cultivar o dia e refinar a noite.
Basicamente, o empenho da vida é canalizar a luz do dia para iluminar a noite. Esforçamo-nos por cultivar tudo o que é bom e Divino em nosso mundo, direcionando os recursos positivos para superar e transformar o mau e a negatividade do "lado obscuro" da Criação. Esse processo foi exemplificado por meio da luz que emanava da Menorá do Bet Hamicdash, acesa ainda de dia, seus raios prolongando-se noite adentro. Acesa num Santuário interno, repleto com a luz Divina, a Menorá irradiava seu fulgor para o mundo físico que não o possui.

Mas, às vezes, este "procedimento opera-cional tradicional" não está em vigor. Há tempos em que a escuridão invade o Divino farol, ofuscando a Menorá e poluindo seu azeite; épocas em que não mais conseguimos extrair do dia para iluminar a noite. Em tais circunstâncias, devemos nos voltar para a própria noite como fonte de luz. É nossa incumbência buscar "a única ânfora de azeite puro", escondida, para a essência da Criação não profanada e improfanável. É preciso escavar as realidades superficiais do "dia" e da "noite" para descobrir as peculiaridades primordiais de luz e escuridão.

Aqui repousa o real significado de Chanucá, a festa que desloca a Menorá do Bet Hamicdash para a rua, e do dia, para a noite. Chanucá transforma a Menorá, de instrumento para disseminar a luz do dia, em instrumento para extrair a essência luminosa da escuridão em si.
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Quebrar recordes
Por Rabino David Azulay
Em todos os eventos esportivos realizados a meta, além de vencer, é bater recordes.

Superar os limites da capacidade humana, quebrar as barreiras do tempo, da força, da distância… é um desafio a cada prova para que os atletas mostrem aquilo que o corpo é capaz de fazer. Porém, não vejo nestas promoções esportivas, verdadeiros espetáculos, nenhuma prova que mostre os “limites” da alma. E não haverá, pois quando termina cada competição, seja as Olimpíadas, Campeonato de Futebol ou de Fórmula Um, nossa vida continua.

Poderíamos comparar nossa vida a uma competição onde os atletas somos nós (apesar do peso) e nosso objetivo é superar os limites da alma.

Como disse um grande sábio, é mais difícil mudar um traço do caráter que estudar a Torá inteira. Em outras palavras, é preciso mais esforço para o refinamento do caráter que para bater o recorde do salto em altura; é mais difícil “derrubar” os sentimentos da inveja e do ódio que derrubar o adversário no tapume. É mais difícil correr para fazer o bem e a caridade que bater o recorde dos 100 metros rasos ou enterrar a bola no gol dezenas de vezes até eliminar o adversário em jogo de final de copa.

Em resumo, superar os limites da alma não é tarefa simples, mas é nosso desafio diário. Aliás, foi esta a grande vitória alcançada pelos macabeus contra os helênicos, que cultuavam o corpo, na história de Chanucá.

A Torá nos ensina que a alma possui poderes transcendentais; como bons atletas, devemos exercitá-los, e então acenderemos a tocha e chegaremos lá!
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A Chama Piloto
Por Rabino Simon Jacobson
Se olharmos atentamente para os detalhes de Chanucá – a Menorá, a história, o número de chamas – eles podem revelar a natureza de nossa alma.

À medida que o sol se põe e caem as sombras da noite, acendemos a Menorá criando luz na escuridão. Ouça cuidadosamente as chamas e elas lhe contarão uma história, que lhe permitirá viver uma vida mais significativa e profunda, elevar-se, vencer desafios e dificuldades. Sente-se perto das chamas e estude-as em silêncio.

“A lamparina de D’us é a alma de um ser humano,” diz a Torá.

As chamas aquecem e iluminam o ambiente, portanto você também pode usar sua alma para infundir calor e luz. Ao contrário de outras entidades físicas que são atraídas na direção da terra, as chamas dançantes tremulam para cima, desafiando a gravidade. Da mesma forma a sua alma, não satisfeita com meros confortos físicos, aspira subir na direção de algo mais elevado.

Chanucá não é apenas sobre acender nossa vida. Ao colocar a Menorá na janela de sua casa ou no batente de sua porta, você permite que a luz se irradie para a rua escura, iluminando seus arredores. Chanucá nos lembra de nossa capacidade e responsabilidade de efetivar o mundo ao nosso redor e nos prontifica a fazer brilhar a luz na vida dos outros, com atos diários de bondade. Assim como uma chama acende outra sem perder sua luminosidade, também quando você partilha a si mesmo torna-se maior, em vez de diminuir-se. Todos os dias devemos aumentar a nossa iluminação e nosso ambiente – a cada dia acrescentando outra boa ação, acendendo uma chama adicional.

Chanucá nos relata uma história mais profunda, que penetra as sombras mais escuras de nossa vida. A Menorá ilumina um túnel através do tempo até uma grande vitória na qual um pequeno grupo de judeus derrotou o poderoso império grego. Em meio aos destroços do Templo profanado os macabeus procuraram incessantemente, até que encontraram uma ânfora de azeite que milagrosamente ardeu durante oito dias.

Quando você é profanado, quando seu Templo interior foi impurificado e não há azeite, você tem o poder de chegar ao fundo e descobrir a luz. A alma sempre permanece intacta como uma “chama piloto”. Quando você acende sua Menorá sob circunstâncias difíceis, criando luz no momento mais escuro, aquela luz jamais pode ser extinta. A luz que lidou com desafios, que transformou o sofrimento em crescimento, é uma luz que transcende a natureza e transforma as trevas em luz.

Este poder de transformar a escuridão deve vir de um lugar além do convencional. Portanto, acendemos oito velas, o número místico de transcendência e infinidade, um além do número sete que representa o ciclo natural.

A fim de furar as trevas com luz, você não pode apenas confiar no natural, precisa atingir uma fonte mais profunda que é a oitava dimensão.

Estes elementos de Chanucá – as oito chamas tremulantes, o milagre do azeite.

A luz brilhando sobre a rua escura – diz para nos conectarmos com o poder de nossa alma. Nossa alma se eleva como uma chama rumo àquilo que transcende a si mesma, não somente repelindo as trevas como é natural para toda luz, mas transformando a escuridão em luz.


Trabalho
Durante Chanucá, não há nenhuma proibição e pode-se trabalhar normalmente.
No entanto, existe um costume especial para as mulheres: o de não realizarem
nenhum trabalho a partir do acendimento da Chanukiyá e enquanto durarem suas
Sonhos e bolinhos de batata
Na festa de Chanucá há o costume de ingerir comidas fritas em óleo como bolinhos de batata (levivot ou latkes), e sonhos (sufganiyot). Estes alimentos são preparados e degustados em honra ao milagre que ocorreu com o azeite.

Pratos à base de laticínios, como bolinhos de queijo, são também apreciados, pois lembram os feitos de uma famosa heroína judia, Yehudit, na época do Segundo Templo Sagrado de Jerusalém.

Israel encontrava-se sitiada pelo cruel e opressivo exército Greco-Sírio. Yehudit ajudou a assegurar a vitória para as forças judaicas, assassinando o terrível general do exército grego, Holofernes. Deu a ele queijo salgado para comer, acompanhado de vinho forte para eliminar sua sede. O vinho o "derrubou" fazendo-o cair em sono profundo. Yehudit então tomou de sua espada e o matou. Os soldados do general fugiram com medo. A vitória dos Macabeus seguiu-se a este ato de coragem.
Receitas
Latkes de BatataCom permissão do Yachad
Ingredientes
6 batatas grandes raladas
2 cebolas grandes raladas
3 ovos inteiros
4 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de óleo
1 colher de chá de sal
Opcional: 1 pitada de pimenta
Óleo para fritar
Preparo
Numa vasilha misture todos os ingredients.
Vá colocando a mistura para fritar em uma frigideira com óleo bem quente, às colheradas,
deixando dourar dos dois lados.
Retire com uma escumadeira e coloque em uma travessa forrada com papel toalha para absorver a gordura. Sirva na hora.
Variação
Acrescente na mistura 1⁄2 queijo muzzarela e 20 gramas de queijo parmesão ralado.
Além de ficar mais colorido, é mais nutritivo acrescentando-se uma cenoura média ralada.

Sonhos
Com permissão do Yachad

Ingredientes da massa:
500 gr de farinha de trigo
2 gemas
2 colheres (chá) de açúcar
2 pacotinhos de fermento para pão (30gr)
3 colheres (sopa) de óleo
1 pitada de sal
1 e 1/2 xícara de água
óleo para fritar

Ingredientes do recheio – Creme italiano
Este creme é excelente para rechear sonhos.
4 gemas
6 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de farinha
1 xícara de creme de leite (ou creme parve p/ chantilly - sem bater)
1/2 colher de sopa de essência de baunilha

Preparo da massa:
Dissolva o fermento na água e deixe descansar por 15 minutos. Misture todos os ingredients em uma vasilha grande e amasse até ficar uma massa homogênea e bem macia.
Cubra e deixe crescer por duas horas em lugar resguardado. Amasse um pouco para retirar o ar. Abra com o rolo de macarrão em superfície
enfarinhada com 2 cm de espessura. Corte em círculos com um copo.
Deixe crescer mais 30 minutos cobertos com um pano. Frite os sonhos em oleo bem quente até dourar dos dois lados. Retire colocando-os em uma travessa forrada com papel toalha. Faça um pique até a metade de cada um e reserve.


Preparo do recheio:

Misture as gemas em uma tigela. Adicione o açúcar e a farinha às gemas, misture com uma colher de pau, sempre na mesma direção, até que a farinha e o
açúcar sejam completamente incorporados às gemas, e a cor fique ligeiramente amarelada. Aos poucos, adicione o creme de leite ou chantilly , sempre misturando. Coloque a mistura em banho-maria e adicione o extrato de baunilha. É importante não deixar levantar fervura. Recheie os sonhos pela abertura. Passe cada um numa travessa com açúcar de confeiteiro e sirva moron.

Variação: Os sonhos podem ser recheados com geléia sabor de sua preferência, com doce de leite ou brigadeiro.

Rendimento: 3 dúzias
Sevivon
A origem
Antíoco decretou que cada aula de Torá era crime punível com morte ou prisão. Em desafio, as crianças estudavam em segredo, e quando as patrulhas sírias eram avistadas, fingiam estar jogando uma inocente brincadeira de pião, também conhecido como dreidel (em yidish) e sevivon (em hebraico).
As letras
Todo sevivon possui quatro lados com uma letra hebraica em cada um deles. Cada letra é a inicial de uma palavra. As quatro letras são:
Nun primeira letra da palavra nes, que significa "milagre"
Guimel primeira letra de gadol, que significa "grande"
Hei primeira letra de haya, que significa "era" ou "foi"
Shin primeira letra de sham, que significa "lá"

Juntas, estas letras formam a frase: "Um grande milagre aconteceu lá".
Em Israel, ao invés da letra shin (para designar sham, lá), o sevivon possui a letra pei de pô, aqui) para que as letras dos lados do pião forme a frase: "Um grande milagre aconteceu aqui".
Atualmente
Uma vez que as crianças têm dinheiro e tempo livre, é natural que acabem brincando com o sevivon.
Mas o sevivon também tem uma mensagem especial: possui quatro lados, cada um com uma letra do alfabeto hebraico, formando a frase: "Um grande milagre aconteceu lá", mostrando assim que, mesmo nos momentos de lazer, a pessoa deve lembrar que a Providência Divina dirige tudo, em todas as situações.
Regras para jogar Sevivon
1) Ao iniciar, cada jogador recebe a mesma quantia de moedas.
2) A cada partida, depositam a mesma quantia na mesa.
3) Cada jogador deverá, alternadamente, girar o sevivon. Dependendo da letra que cair, o jogador procederá da seguinte maneira:
"Nun": não perde nem ganha nada;
"Guímel": ganha todas as moedas da mesa;
"Hei": ganha a metade das moedas da mesa; e
"Shin": deposita na mesa o mesmo valor colocado anteriormente.
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DISCIPULADO

DISCIPULADO "Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passaram" (Mateus 24:35) Os dias que virão serão melh...